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A Coragem de Calar

A coragem de fechar a boca, apesar da artilharia! A linha rosa e silenciosa, um verme, aquecendo-se. Existem discos pretos atrás dele, os discos da indignação, E a indignação de um céu, o cérebro alinhado. Os discos giram, pedem para serem ouvidos -  Carregados, como estão, com relatos de bastardias. Bastardias, usos, deserções e duplicidade, A agulha viajando em sua ranhura, Besta prateada entre dois desfiladeiros escuros, Um grande cirurgião, agora um tatuador,  Tatuando sempre as mesmas queixas azuis, As cobras, os bébés, os seios Em sereias e raparigas de sonho de duas pernas. O cirurgião aquieta-se, não fala. Já viu muitas mortes, as mãos estão cheias delas.  Assim, os discos do cérebro giram, como as bocas de um canhão. Depois, há aquela tesoura antiga, a língua, Infatigável, roxa. Deve ser cortada? Tem nove caudas, é perigosa. E o barulho sibilante do ar, quando começa!  Não, a língua também foi por ele traçada, Pendurada na biblioteca com as gravuras de Rango...