Picadas
Com as mãos nuas, entrego os favos de mel. O homem de branco sorri, de mãos nuas, As nossas luvas de gaze limpa e doce, As gargantas de nossos pulsos valem lírios. Ele e eu Temos mil células limpas entre nós, Oito favos de chávenas amarelas, E a própria colmeia uma chávena de chá, Branca com flores rosa, Com amor excessivo, esmaltei-a Pensando em "doçura, doçura". Células de criação cinzentas como os fósseis de conchas Apavoram-me, parecem tão velhos. O que estou a comprar, mogno comido por vermes? Existe nele alguma rainha? Se houver, é velha, As suas asas rasgados xailes, o seu corpo comprido Coçado na sua pelúcia Pobre, despojado, deselegante e até vergonhoso. Encosto-me a uma coluna De mulheres aladas, desassombradas, Bebedores de mel. Não sou enfadonha Embora por anos tenha comido poeira E pratos secos com o meu denso cabelo. E vejo a minha estranheza evaporar-se, Orvalho azul de pele perigosa. Será que me odiarão, Essas mulheres que apenas correm, Cuj...