Viúva
Viúva. A palavra consome-se a si mesma - Corpo, uma folha de jornal no fogo Levitando um minuto entorpecido na corrente de ar Sobre a escaldante topografia vermelha que projecta o seu coração como um único olho. Viúva. A sílaba morta, com a sua sombra De um eco, expõe o painel na parede Atrás da qual está a passagem secreta - o ar viciado, Memórias empoeiradas, a escada em espiral que abre no cimo para o nada ... Viúva. A aranha amarga senta-se E senta-se no centro da teia sem amor. A morte é o vestido que usa, o seu chapéu e a gola. O rosto de mariposa do seu marido, branco como a lua e doente, Rodeia-a como uma presa que adoraria matar Uma segunda vez, para tê-lo perto de novo - Uma imagem de papel para colocar contra o coração A maneira como afagava as suas cartas, até que esquentassem E parecessem dar-lhe calor, como uma pele viva. Mas é ela que é papel agora, não aquecida por ninguém. Viúva: que grande propriedade vaga! A voz de Deus está cheia de cor...