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Os Manequins de Munique

A perfeição é terrível, não pode ter filhos. Fria como o hálito da neve, aperta o útero  Onde os teixos sopram como hidras, A árvore da vida  somada à árvore da vida Soltando as suas luas, mês após mês, sem fim algum. A inundação do sangue é a inundação do amor,  O sacrifício absoluto. Significa: nenhum ídolo existe além de mim,  Eu e tu. Assim, em sua beleza de enxofre, em seus sorrisos  Esses manequins repousam esta noite  Em Munique, morgue entre Paris e Roma,  Nus e carecas em seus casacos de pele, Gelados de laranja em palitos de prata,  Intoleráveis, sem mente. Da neve caem os seus pedaços de trevas,  Ninguém está por perto. Nos hotéis As mãos estão a abrir as portas e colocam No chão os sapatos para um lustro de carbono Para onde irão amanhã os seus dedos do pé. Ó, a domesticidade dessas janelas, A renda de bébé, a confeitaria de folhas verdes,  Os pesados alemães adormecendo em seu Orgulho insondável. E os telefones pretos nos ga...

Febre 39,4ºC

 Puro? O que significa? As línguas do inferno São opacas, opacas como as triplas Línguas de Cérbero, gordo e baço, Que ofega no portão. Incapaz De lamber até ficar limpo. O tendão do agave, o pecado, o pecado. A palha seca chora. O cheiro indelével De uma vela apagada! Amor, amor, o fumo baixo rola De mim como os lenços da Isadora, estou aterrorizada Um lenço vai prender-se e fixar-se na roda. Essa fumaça amarela e sombria Cria o seu próprio elemento. Não vai subir, Mas vai rolar pelo globo Sufocando os idosos e os humildes, Os fracos Um bebé de estufa no seu berço, A orquídea horripilante Pendurando o seu jardim suspenso no ar, Leopardo diabólico! A radiação tornou-o branco E matou-o numa hora. Untando os corpos dos adúlteros Como cinzas de Hiroxima, corroendo-os. O pecado. O pecado. Querido, durante toda a noite Estive a oscilar, a ligar, a desligar, a ligar. Os lençóis ficam pesados ​​​​como o beijo de um libertino. Trê...

Coruja

Os relógios marcavam doze horas. A rua principal mostrava o oposto Do seu subúrbio de floresta: o nimbo - Iluminado, mas despovoado, mantinha as suas janelas De doces de boda, Anéis de diamante, rosas em vasos, peles de raposa, Ruddy nos manequins de cera Num quadro envidraçado de riqueza. De porões profundos  O que moveu a pálida coruja raptonal Ali, a gritar acima do nível Dos postes de luz e fios, de parede a parede, A asas abertas no controle De correntes marítimas, a barriga De penas densas, terrivelmente macias para Atacar? Dentes de ratos destroem a cidade Abalada pelo grito da coruja. The Collected Poems | Sylvia Plath © 1981 The Estate of Sylvia Plath  Editorial material © 1981 Ted Hughes Versão Portuguesa © Luísa Vinuesa 

Carta em Novembro

Amor, o mundo De repente ganha, ganha cor. A luz da rua Divide-se pela cauda do rato, Vagens de laburno às nove da manhã. É o Árctico,  Este pequeno círculo Negro, com relvas citadinas de seda - cabelo de bébés. Há um verde no ar, Macio, delicioso. Isso suaviza-me com amor.  Estou corada e cálida. Penso que posso ser imensa, Estou tão estupidamente feliz, As minhas botas Wellingtons Pisam e repisam por completo o belo vermelho.  Esta é a minha propriedade. Duas vezes por dia Caminho, farejando O azevinho bárbaro com as suas viridianas Conchas de vieira, ferro puro,  E a parede de velhos cadáveres. Adoro-os. Amo-os como história. As maçãs são douradas, Imaginem -  As minhas setenta árvores Segurando as suas bolas douradas Numa densa sopa cinzenta de morte, O seu milhão  De folhas d'Ouro metalizado e sem fôlego.  Ó amor, ó celibatário. Ninguém além de mim Caminha molhado pela cintura. O insubstituível Ouro sangra e escurece, a boca das Termópilas. The Co...