Carta de Amor
Não é fácil anunciar a mudança que fizeste. Se estou viva agora, antes estava morta, Embora, como uma pedra, isso não me incomodasse, Ficar parada de acordo com o hábito. Não me tocaste um centímetro, não - Nem me deixaste fixar o meu pequeno olho calvo De novo em direcção ao céu, sem esperança, é claro, De cativar o azul, ou as estrelas. Não foi isso. Dormi, digo: uma serpente Camuflada entre rochas negras como uma rocha negra No hiato branco do inverno - Como os meus vizinhos, sem prazer No milhão perfeitamente cinzelado de Faces descendo a cada momento para derreter A minha face de basalto. Começaram a chorar, Anjos choravam por naturezas monótonas, Mas não me convenceram. Essas lágrimas congelaram. Cada cabeça morta tinha uma viseira de gelo. E dormi como um dedo dobrado. A primeira coisa que vi foi o ar puro E as gotas presas crescendo num orvalho Límpido como espíritos. Muitas pedras jazem Densas e inexpressivas em redor. Não sabia o que fazer com isso. Dei lustro, esc...