Acrobata
Cada noite, a hábil jovem senhora Mente entre lençóis Triturada finamente como flocos de neve Até que o sonho leve o seu corpo Da cama aos severos testes De acrobacias na corda bamba. Todas as noites se equilibra Qual esperto gato em fios perigosos Num salão gigante, Ao passo de suas delicadas danças Ao estalo de chicote e de rugido Exprimindo a vontade do maestro. Pintada de dourado, vindo apurada Através daquele ar abafado, Dá um passo, pára, pendura-se No ponto morto do centro do seu acto Como se grandes pesos caíssem sobre ela E começa a balançar-se. Assim instruída, a rapariga Afasta a investida e a ameaça De cada pêndulo; Pelo hábil mergulhar e redopiar Atrai aplausos; arreios brilhantes Mordidas afiadas em cada bravo membro. Então, feita a difícil tarefa, faz uma vénia E serenamente cai a pique Para atravessar o piso de vidro E volta para casa em segurança; mas, virando-se com os olhos treinados, O domador de tigres e sorridente pal...